quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Rendimento acima de 10% ao ano NÃO existe? Será?

Rendimento acima de 10% ao ano NÃO existe? Será?

Dizem que não existe investimento que pague mais de 10% ao ano...

E se eu te disser que consegui mais de 20% em apenas dois meses, o que você me diria?

Ficou curioso?

Vou te contar como foi.

Antes de continuar, porém, é importante fazer uma ressalva: isso não significa que eu tenha encontrado uma fórmula capaz de produzir 20% de lucro a cada dois meses. Uma operação que deu certo não transforma um resultado passado em promessa de resultado futuro.

O que aconteceu foi uma operação de swing trade, baseada em uma ferramenta estatística que venho utilizando para analisar o comportamento dos preços: o canal de regressão linear.

Mas o que é um canal de regressão linear?

Imagine que você está observando uma estrada sinuosa vista de cima. Os preços de uma ação seriam os carros trafegando por essa estrada. Eles não seguem exatamente uma linha reta, mas podemos tentar identificar a direção predominante do caminho.

A regressão linear procura justamente essa direção predominante. Ela calcula uma linha que representa, estatisticamente, o comportamento central dos preços em determinado período.

A partir dessa linha, podemos construir duas outras linhas, uma acima e outra abaixo, formando um canal. Essas linhas representam uma faixa na qual os preços têm se movimentado em relação à tendência central observada.

Uma maneira simples de visualizar a ideia é imaginar uma estrada com uma faixa central e duas margens. O carro pode se aproximar de uma margem, voltar em direção ao centro e depois se aproximar da outra. A estrada continua apontando para determinada direção, mas o carro não precisa permanecer exatamente no meio dela.

No mercado, naturalmente, as coisas são muito mais complexas. O preço pode romper o canal, mudar de direção ou simplesmente ignorar completamente aquilo que o modelo estatístico sugeria.

Por isso, o canal não é uma bola de cristal. É uma ferramenta para organizar informações sobre o comportamento dos preços.

E o que aconteceu com PETR4?

No dia 15 de julho, comprei ações da Petrobras, PETR4, pelo preço de R$ 40,32 por ação.

A decisão de entrada não foi baseada simplesmente na minha opinião sobre a empresa, em uma notícia ou em uma expectativa sobre o preço do petróleo.

A operação fazia parte de uma estratégia de swing trade baseada no canal de regressão linear. O canal foi utilizado como uma referência estatística tanto para a identificação da oportunidade de compra quanto, posteriormente, para a decisão de venda.

Durante os dois meses seguintes, o preço percorreu seu caminho. E eu, em vez de tentar adivinhar cada movimento, acompanhei o comportamento da ação em relação ao canal.

Até que chegou o dia 15 de setembro.

Nesse dia, vendi as ações por R$ 50,30.

Compra: R$ 40,32
Venda: R$ 50,30
Período: aproximadamente 2 meses
Variação bruta: aproximadamente 24,70%

A conta é simples:

(50,30 ÷ 40,32) − 1 ≈ 24,70%

Foi um resultado bastante expressivo para uma operação de dois meses.

Mas talvez a parte mais interessante da história não seja o percentual de lucro.

O que realmente me interessa nessa operação

O que me interessa é o processo que levou à decisão.

Em vez de simplesmente olhar para um gráfico e dizer “acho que vai subir”, utilizei uma ferramenta baseada em estatística para estabelecer referências objetivas de comportamento.

Isso muda bastante a maneira de enxergar o mercado.

O investidor deixa de procurar apenas uma história que explique por que determinada ação deveria subir e passa a perguntar:

O que os dados estão mostrando?

É claro que uma única operação não comprova a eficácia de uma estratégia. O resultado poderia ter sido diferente. Uma metodologia precisa ser testada em uma quantidade suficiente de operações, em diferentes períodos e condições de mercado, antes que se possa avaliar adequadamente sua consistência.

E existe outro detalhe importante: ganhar dinheiro em uma operação não significa necessariamente ter uma boa estratégia. Assim como perder dinheiro em uma operação não significa, isoladamente, que a estratégia seja ruim.

É justamente por isso que a estatística é tão importante para quem opera no mercado.

Ela nos ajuda a sair do território das impressões e entrar no território das probabilidades.

Uma operação não é uma prova. É uma observação.

Minha operação com PETR4 terminou com 20,98% de valorização líquida (já descontados IR e taxas).

Mas o resultado dessa operação não deve ser interpretado como uma promessa de que o mesmo método produzirá o mesmo retorno na próxima operação.

O mercado não funciona assim.

O verdadeiro objetivo de uma abordagem estatística é outro: transformar decisões subjetivas em processos que possam ser observados, testados, medidos e aprimorados.

Afinal, no mercado financeiro, não precisamos ter certeza sobre o próximo movimento. Precisamos aprender a trabalhar com aquilo que podemos observar e medir.

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Importante: este conteúdo tem finalidade exclusivamente educacional e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Resultados passados não garantem resultados futuros. Operações no mercado financeiro envolvem riscos.

Seu Setup Funciona Mesmo?

Seu Setup Funciona Mesmo?

Como validar uma estratégia antes de arriscar seu dinheiro

Eu já perdi R$ 2 mil em poucos minutos.

Não foi porque eu não tinha uma estratégia.

Na verdade, esse foi justamente o problema.

Eu vinha utilizando, havia alguns pregões, uma estratégia que estava apresentando resultados bastante interessantes. Em cada pregão operado, ela vinha proporcionando lucros que ficavam aproximadamente entre 1% e 2% do capital.

Isso é suficiente para deixar qualquer operador animado.

E foi aí que surgiu uma das armadilhas mais perigosas do mercado: começar a acreditar demais em uma estratégia porque ela funcionou algumas vezes.

Em determinado dia, entrei novamente seguindo aquilo que havia planejado.

O mercado, porém, começou a andar na direção contrária.

Quando o prejuízo chegou a 1% do capital, eu já tinha uma decisão a tomar: zerar a operação conforme o limite que deveria respeitar ou continuar acreditando na estratégia.

Eu escolhi continuar.

Não porque tivesse descoberto alguma nova informação. Não porque tivesse feito uma nova análise estatística. Não porque meu plano tivesse mudado.

Continuei simplesmente porque estava convencido de que, se permanecesse fiel ao que havia planejado, o mercado acabaria virando.

Não virou.

Ou melhor: virou depois.

Mas isso não me ajudou.

Deixei o prejuízo crescer até aproximadamente 10% do capital. Foi somente então que estopei.

Perdi cerca de R$ 2 mil em poucos minutos.

Depois, aconteceu aquilo que costuma tornar uma perda ainda mais dolorosa.

A tendência virou.

O que poderia ter sido uma operação vencedora — e, considerando o desempenho que a estratégia vinha apresentando, talvez um lucro excelente — transformou-se em um prejuízo que me afastou dos trades por mais de uma semana.

O problema, portanto, não estava apenas em ter errado a operação.

Eu havia cometido um erro muito mais importante: eu ainda não conhecia suficientemente o comportamento da estratégia que estava utilizando.

Eu sabia que ela havia dado lucro.

Mas sabia quanto poderia perder?

Sabia qual era o maior drawdown?

Sabia quantas perdas consecutivas poderiam ocorrer?

Sabia se aquele resultado positivo vinha de uma vantagem estatística ou de uma sequência favorável de acontecimentos?

Sabia como a estratégia se comportaria quando o mercado mudasse de regime?

Hoje, eu faria essas perguntas antes de colocar o dinheiro em risco.


Uma estratégia lucrativa não é necessariamente uma estratégia validada

Essa experiência me ensinou uma coisa que parece óbvia depois que acontece:

ganhar dinheiro com um setup não é a mesma coisa que provar que o setup possui uma vantagem estatística.

Uma estratégia pode apresentar uma sequência de operações vencedoras simplesmente porque as condições do mercado foram favoráveis naquele período.

Ela pode funcionar durante alguns dias, algumas semanas ou até alguns meses e, ainda assim, não possuir a robustez que imaginamos.

Por isso, antes de arriscar dinheiro, é necessário validar o setup.

Mas o que significa validar um setup?

Validar não significa provar que uma estratégia sempre ganhará.

Isso não existe no mercado.

Validar significa reunir evidências suficientes para avaliar se existe uma vantagem estatística e, principalmente, compreender como essa vantagem se comporta quando as coisas não saem conforme o esperado.

Para isso, precisamos conhecer algumas características fundamentais da estratégia:

  • taxa de acerto;
  • ganho médio;
  • perda média;
  • payoff;
  • expectativa matemática;
  • número de operações;
  • drawdown máximo;
  • sequência máxima de perdas;
  • comportamento em diferentes períodos e condições de mercado.

Em outras palavras, o objetivo do teste não é descobrir apenas se você consegue ganhar.

É descobrir se existe evidência de que o método possui alguma vantagem que possa ser explorada de maneira consistente e com risco controlado.

Primeiro passo: transforme a ideia em regras

Um setup precisa ser suficientemente objetivo para que outra pessoa consiga entender exatamente quando uma operação deve ser aberta e fechada.

“Eu compro quando o gráfico parece forte” não é uma regra.

“Eu compro quando determinadas condições A, B e C acontecem; utilizo o stop X e o alvo Y” já é algo que pode ser testado.

Uma estratégia precisa responder, pelo menos:

  • Quando entrar?
  • Quando sair com prejuízo?
  • Quando realizar o lucro?
  • Quando não operar?
  • Qual ativo ou mercado será utilizado?
  • Qual será o tamanho da posição?

Quanto mais subjetivas forem as regras, mais difícil será saber se estamos testando uma estratégia ou simplesmente a capacidade do operador de interpretar o gráfico.

Segundo passo: faça um backtest

Depois de transformar a ideia em regras, podemos verificar como ela teria se comportado no passado.

É o conhecido backtest.

Ele permite observar uma quantidade de operações muito maior do que aquela que normalmente conseguiríamos realizar em tempo real.

Mas existe uma armadilha.

Backtest não é sinônimo de validação.

Ele é uma etapa do processo.

O passado pode ajudar a descobrir características de uma estratégia, mas também pode nos enganar.

O perigo de otimizar até funcionar

Imagine que você teste uma estratégia com diferentes períodos, stops, alvos, horários e parâmetros.

Você testa uma configuração.

Depois outra.

Depois mais dez.

Depois cem.

Em algum momento, é bastante provável que encontre uma combinação que produza um resultado espetacular sobre aquele conjunto de dados.

Mas existe uma pergunta incômoda:

você encontrou uma estratégia robusta ou simplesmente encontrou uma configuração que se ajustou muito bem ao passado?

Esse problema é conhecido como overfitting.

É como decorar as respostas de uma prova em vez de aprender a matéria.

No dia da prova seguinte, a história pode ser bem diferente.

Terceiro passo: separe os dados

Uma forma de reduzir esse problema é separar os dados utilizados no desenvolvimento daqueles utilizados para verificar o comportamento da estratégia.

De maneira simplificada, podemos pensar em três etapas:

Desenvolvimento
Construção e ajustes iniciais da estratégia.

Validação
Verificação do comportamento em dados que não foram utilizados da mesma maneira na construção.

Teste fora da amostra
Verificação em dados que permaneceram fora do processo de desenvolvimento.

A lógica é simples: se a estratégia só funciona quando estamos olhando para os dados que ajudaram a construí-la, temos um problema.

Quarto passo: quantidade de operações importa

Imagine dois resultados:

Setup Operações Acerto
A 4 75%
B 200 55%

O primeiro resultado parece impressionante.

Mas quatro operações representam uma amostra muito pequena.

Uma sequência favorável pode produzir uma fotografia bastante diferente daquela que teríamos ao observar um período muito maior.

Cinco operações podem contar uma história. Centenas de operações começam a fornecer evidências mais úteis sobre o comportamento de um método.

Isso não significa que exista um número mágico de operações que transforme automaticamente uma estratégia em “validada”. O tamanho adequado da amostra depende do método, da frequência das operações, do mercado e de outras características do estudo.

Quinto passo: não olhe apenas para a taxa de acerto

Uma das maiores armadilhas na avaliação de estratégias é acreditar que uma taxa de acerto elevada significa necessariamente uma estratégia melhor.

Observe dois exemplos hipotéticos:

Setup Acerto Ganho médio Perda média
A 70% R$ 50 R$ 100
B 40% R$ 200 R$ 100

A taxa de acerto do primeiro setup é maior.

Mas isso, sozinho, não nos diz qual deles possui maior expectativa matemática.

Podemos calcular a expectativa de uma estratégia de maneira simplificada por:

E = (Pw × G) − (Pl × L)

Onde Pw representa a probabilidade de ganhar, G o ganho médio, Pl a probabilidade de perder e L a perda média.

É por isso que uma estratégia pode perder mais vezes do que ganha e ainda assim apresentar expectativa positiva.

O mercado não paga um prêmio simplesmente porque você acertou muitas vezes.

O que importa é a relação entre frequência e magnitude dos resultados.

Sexto passo: descubra quanto a estratégia pode perder

Foi justamente aqui que minha experiência dos R$ 2 mil se tornou particularmente importante.

Eu conhecia os resultados positivos que vinha obtendo.

Não conhecia suficientemente o tamanho das perdas que poderia enfrentar.

Uma estratégia deve ser analisada também pelo seu drawdown: a perda acumulada entre um ponto de máximo e o ponto posterior de recuperação.

Também é importante observar a maior sequência histórica de perdas e o tempo necessário para recuperar um período ruim.

Porque existe uma diferença enorme entre uma estratégia que eventualmente perde 2% e outra que pode passar por um período de queda de 10%, 20% ou mais.

Essa informação muda completamente a maneira como devemos pensar no tamanho da posição.

Uma estratégia não pode ser avaliada apenas pelo quanto ela ganha quando tudo funciona.

Precisamos saber se temos capital e disciplina suficientes para sobreviver quando ela não funciona.

Sétimo passo: teste a robustez

Uma estratégia que funciona muito bem em um único ativo, em um único período e sob uma única condição de mercado merece uma pergunta adicional:

o que exatamente estou capturando?

Pode existir uma característica real e persistente no comportamento daquele mercado.

Mas também pode existir uma particularidade daquele período específico.

Por isso, quando fizer sentido, é interessante verificar o comportamento do método em diferentes períodos e condições de mercado.

Isso não significa sair testando centenas de combinações até encontrar um resultado bonito. Afinal, quanto mais tentativas fazemos, maior pode ser a chance de encontrar resultados favoráveis simplesmente por acaso.

Robustez não é encontrar o melhor resultado. É verificar se a lógica continua funcionando quando algumas condições mudam.

E depois do laboratório?

Existe uma etapa que considero especialmente importante:

sair do laboratório.

Depois do backtest e dos testes fora da amostra, podemos acompanhar a estratégia em simulação ou com exposição muito pequena, observando se o comportamento real continua compatível com aquilo que foi estudado.

É uma forma de colocar à prova não apenas o setup, mas também o próprio operador.

Porque existe outra variável que nenhum backtest consegue eliminar:

você.

Uma estratégia pode apresentar uma boa expectativa matemática e ainda assim ser impossível de executar corretamente por determinado operador.

Se você abandona o método depois de três perdas, aumenta a posição depois de duas vitórias ou move o stop porque “agora vai voltar”, não está mais executando a estratégia que foi testada.

Está executando outra estratégia.

O setup perfeito não existe

Talvez essa seja a conclusão mais importante.

O objetivo da validação não é encontrar uma estratégia que nunca perca.

Isso não existe.

O objetivo é compreender uma estratégia suficientemente bem para saber:

  • onde ela costuma funcionar;
  • onde ela costuma falhar;
  • quanto pode perder;
  • quanto pode ganhar;
  • qual é sua expectativa;
  • qual é seu drawdown;
  • e qual tamanho de posição permite que você continue no jogo quando inevitavelmente vier uma sequência ruim.

Hoje, olhando para aquela perda de R$ 2 mil, eu não vejo apenas uma operação que deu errado.

Vejo uma aula cara sobre a diferença entre acreditar em uma estratégia e conhecer uma estratégia.

A primeira coisa é convicção.

A segunda exige dados.

Antes de arriscar seu dinheiro, faça estas perguntas

As regras da estratégia estão objetivamente definidas?

Quantas operações foram analisadas?

Qual é a taxa de acerto?

Qual é o ganho médio?

Qual é a perda média?

Qual é a expectativa matemática?

Qual é o payoff?

Qual foi o maior drawdown?

Qual foi a maior sequência de perdas?

O resultado permanece quando testado fora da amostra?

Houve excesso de otimização?

Como a estratégia se comporta em diferentes condições de mercado?

O tamanho da posição é compatível com o risco que você consegue suportar?

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No livro Use a Volatilidade para Lucrar, você encontra uma abordagem prática sobre como utilizar conceitos estatísticos para compreender melhor o comportamento das ações e tomar decisões mais fundamentadas no mercado.

Porque uma estratégia não deve ser avaliada apenas pelo resultado de algumas operações. É preciso entender os números por trás dela.

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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Como Vencer a Média

Como Vencer a Média

Um passo a passo para se descolar da manada, aumentar sua renda e começar a construir uma vida financeira diferente.

Existe uma coisa curiosa sobre a vida financeira.

Quase ninguém acorda pela manhã e decide: “Hoje vou ter uma vida financeira mediana.”

Mesmo assim, milhões de pessoas acabam exatamente aí.

Não porque sejam incapazes. Não porque não trabalhem. Não porque não tenham sonhos.

Muitas simplesmente seguem o caminho que estava diante delas.

Estudam o que todo mundo estuda. Trabalham como todo mundo trabalha. Ganham dinheiro, pagam contas, gastam o que sobra e, quando sobra alguma coisa, eventualmente investem.

Os anos passam.

E a vida financeira continua aproximadamente no mesmo lugar.

Vencer a média não significa vencer outras pessoas.
Significa construir deliberadamente uma trajetória que não dependa apenas do caminho seguido pela maioria.

O primeiro passo: aprenda algo que tenha valor

Existe uma maneira relativamente simples de aumentar sua capacidade de ganhar dinheiro:

Torne-se capaz de fazer algo que outras pessoas considerem valioso.

Parece óbvio. E justamente por isso costuma ser subestimado.

Uma habilidade pode ser técnica, intelectual, artística, comercial ou prática.

Você pode aprender programação, edição de vídeo, design, análise de dados, vendas, fotografia, tradução, produção de conteúdo, inteligência artificial, gestão, matemática, mecânica, culinária ou dezenas de outras coisas.

A pergunta importante não é apenas:

“Do que eu gosto?”

É também:

“Que problema consigo resolver para alguém?”

Quanto maior a utilidade de uma habilidade, maior tende a ser a possibilidade de transformá-la em renda — embora nenhuma habilidade garanta determinado nível de remuneração.

Habilidade não é patrimônio. Mas pode produzir patrimônio.

Imagine duas pessoas.

A primeira recebe seu salário e simplesmente espera o próximo pagamento.

A segunda recebe seu salário, mas também dedica algumas horas por semana ao desenvolvimento de uma habilidade que pode ser vendida.

No começo, talvez não aconteça nada.

Depois, surge um pequeno trabalho.

Depois, outro.

Talvez apareça um cliente recorrente. Talvez um projeto paralelo. Talvez uma promoção no emprego principal porque a nova habilidade aumentou sua capacidade profissional.

Não há garantia de que isso acontecerá. Mas existe uma diferença estrutural entre as duas situações.

Uma pessoa está apenas vendendo seu tempo.

A outra está tentando aumentar o valor econômico do próprio conhecimento.

Aprender → desenvolver habilidade → entregar valor → gerar renda

O segundo passo: transforme renda em capacidade financeira

Aumentar a renda é importante.

Mas existe uma armadilha.

Uma pessoa pode ganhar R$ 3 mil por mês e gastar R$ 3 mil.

Pode ganhar R$ 10 mil e gastar R$ 10 mil.

Pode ganhar R$ 30 mil e encontrar uma maneira de gastar R$ 30 mil.

Nesse caso, aumentar a renda não necessariamente aumenta o patrimônio.

O dinheiro simplesmente passa pela conta bancária.

É por isso que existe uma segunda habilidade que precisa ser desenvolvida:

Saber administrar o dinheiro que você consegue ganhar.

E aqui começa uma mudança importante de mentalidade.

Fazer dinheiro não é a parte mais difícil.

Para algumas pessoas, aumentar a renda pode ser relativamente rápido quando encontram uma habilidade valorizada pelo mercado.

O problema é que dinheiro sem gestão pode desaparecer com a mesma velocidade com que aparece.

O terceiro passo: aprenda a ficar com uma parte do que ganha

Existe uma diferença enorme entre renda e riqueza.

Renda é o fluxo de dinheiro que chega.

Riqueza, em termos simples, está relacionada ao patrimônio que você consegue acumular e preservar ao longo do tempo.

Se toda a renda é consumida, o patrimônio não cresce.

Portanto, depois de aumentar a capacidade de gerar renda, é necessário criar espaço para poupar.

Não é preciso começar com grandes valores.

Uma pessoa que começa investindo R$ 50 por mês está desenvolvendo um comportamento financeiro diferente daquela que sempre termina o mês no zero.

O valor inicial pode ser pequeno.

O hábito é que precisa crescer.

O quarto passo: aprenda a multiplicar

Poupar é fundamental, mas guardar dinheiro é apenas uma parte da equação.

Em algum momento, é necessário aprender como fazer o capital acumulado trabalhar.

É aí que entram os investimentos.

Renda fixa, ações, fundos, ETFs e outros instrumentos possuem características diferentes de risco, retorno, liquidez e prazo.

O investidor precisa aprender a compreender essas diferenças antes de escolher onde colocar seu dinheiro.

Investir não deveria ser uma coleção de apostas em produtos financeiros que alguém indicou.

Deveria ser consequência de conhecimento.

Ganhar.
Administrar.
Multiplicar.

O quinto passo: faça as habilidades trabalharem juntas

Agora imagine o efeito acumulado.

Você aprende uma habilidade capaz de gerar valor.

Essa habilidade aumenta sua capacidade de gerar renda.

Você aprende a controlar seus gastos e passa a poupar parte dessa renda.

Depois, aprende sobre investimentos e começa a direcionar o capital acumulado para ativos adequados aos seus objetivos e ao seu perfil de risco.

Com o tempo, o processo começa a formar um ciclo:

Habilidade
Renda
Poupança
Investimento
Patrimônio

É assim que uma pessoa começa a se descolar da média.

Não por causa de um golpe de sorte.

Não porque descobriu um investimento secreto.

E muito menos porque encontrou uma fórmula para ficar rico rapidamente.

Ela simplesmente passou a acumular habilidades que produzem valor e a administrar melhor os frutos dessas habilidades.

O efeito composto não acontece apenas nos investimentos

Quando se fala em juros compostos, normalmente pensamos em dinheiro.

Mas existe outro tipo de composição acontecendo silenciosamente: a composição das habilidades.

Quem aprende matemática pode utilizá-la para aprender estatística.

Quem aprende estatística pode utilizá-la para analisar dados.

Quem aprende análise de dados pode resolver problemas empresariais.

Quem aprende a comunicar suas descobertas pode transformar esse conhecimento em conteúdo, consultoria ou treinamento.

Uma habilidade abre caminho para outra.

E uma habilidade combinada com outra pode produzir um valor que nenhuma delas produziria isoladamente.

Vencer a média começa com uma decisão

Talvez você não consiga mudar sua renda amanhã.

Talvez também não consiga acumular uma grande quantia imediatamente.

Mas pode começar a aprender.

Pode escolher uma habilidade.

Pode dedicar uma hora por dia a ela.

Pode procurar uma maneira de resolver um problema real de outra pessoa.

Pode aprender a organizar suas finanças.

Pode estudar investimentos.

Pode começar pequeno.

E pode repetir o processo durante anos.

Parece pouco.

Mas é justamente assim que grandes diferenças costumam começar: com pequenas decisões repetidas por tempo suficiente.

Aprenda uma habilidade.
Transforme conhecimento em valor.
Transforme valor em renda.
Transforme renda em patrimônio.

E existe uma habilidade que não pode ficar para depois

Você pode aprender a ganhar mais dinheiro.

Pode aprender uma profissão nova, criar um negócio, prestar serviços ou desenvolver uma atividade paralela.

Mas, se não aprender a administrar o dinheiro que chega, parte desse esforço poderá ser desperdiçada.

Por isso, aprender sobre finanças pessoais não deveria ser algo reservado para quem já tem muito dinheiro.

É justamente o contrário.

Quanto antes uma pessoa aprende a lidar com o próprio dinheiro, maior é o tempo disponível para colocar esse conhecimento em prática.

E é nesse ponto que começa uma verdadeira mudança de mentalidade.

Você deixa de pensar apenas em quanto ganha e começa a pensar em o que acontece com aquilo que ganha.

Deixa de olhar apenas para o salário e começa a olhar para o patrimônio.

Deixa de pensar apenas no próximo mês e começa a pensar no próximo ano, na próxima década e na vida que deseja construir.

Um livro para essa virada

Foi justamente dessa maneira de enxergar a vida financeira que nasceu o livro “LUZ CÂMERA AÇÃO: DIRIJA O FILME DA SUA VIDA FINANCEIRA”.

A metáfora é simples, mas poderosa: sua vida financeira é um filme — e você precisa assumir o papel de diretor.

O livro não promete riqueza rápida.

A proposta é mais profunda: ajudar o leitor a compreender sua relação com o dinheiro, reconhecer comportamentos financeiros, organizar a vida financeira, sair das dívidas, construir poupança e aprender a investir.

É uma combinação de reflexão sobre comportamento financeiro com práticas que podem ser aplicadas no cotidiano.

Em outras palavras, um verdadeiro manual para quem quer parar de apenas assistir à própria vida financeira e começar a dirigi-la.

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DIRIJA O FILME DA SUA VIDA FINANCEIRA

Uma metáfora poderosa, práticas efetivas e um verdadeiro manual para transformar sua relação com o dinheiro.

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Importante: este conteúdo tem finalidade educacional. A construção de renda e patrimônio depende de circunstâncias individuais, escolhas, tempo, oportunidades e riscos. Investimentos envolvem riscos, e resultados passados não garantem resultados futuros.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Como Lucrei R$ 1.100 com Ações do Banco do Brasil em uma Operação que Durou Menos de 23 Horas

Como Lucrei R$ 1.100 com Ações do Banco do Brasil em uma Operação que Durou Menos de 23 Horas

Uma operação de swing trade, um canal de regressão linear e uma oportunidade escondida na volatilidade.

Ganhar dinheiro no mercado de ações não significa necessariamente descobrir qual ação vai subir amanhã.

Às vezes, a oportunidade está justamente no movimento que parece um problema: a volatilidade.

O preço de uma ação não caminha em linha reta. Ele sobe, desce, acelera, recua, testa regiões de preço e, muitas vezes, volta para níveis que havia deixado para trás.

Para quem olha apenas para a cotação, tudo isso pode parecer uma sucessão de movimentos aleatórios.

Para quem utiliza estatística, entretanto, a história pode ser um pouco diferente.

É possível procurar padrões de comportamento, medir desvios e estabelecer regiões de preço que ajudem a tomar decisões.

Foi exatamente isso que aconteceu em uma operação que fiz com ações do Banco do Brasil.

Mas, antes de contar quanto ganhei e como a operação aconteceu, vale entender alguns conceitos fundamentais.

Risco e retorno: os dois lados da mesma moeda

No mercado financeiro, existe uma relação que não pode ser ignorada: risco e retorno.

Quanto maior o retorno potencial de uma operação, normalmente maior será também a exposição ao risco. Isso não significa que todo investimento de alto risco produzirá alto retorno. Significa apenas que não existe retorno elevado sem que alguma forma de risco esteja presente.

O investidor que compra uma ação pode ganhar se ela se valorizar. Mas também pode perder se o preço cair.

O operador precisa, portanto, pensar não apenas em quanto pode ganhar, mas principalmente em quanto pode perder caso esteja errado.

Uma boa operação não é aquela em que o operador simplesmente ganha.
É aquela em que o possível ganho, o risco assumido e o tamanho da posição fazem sentido em conjunto.

O que é uma operação de swing trade?

O swing trade é uma modalidade de operação em que o investidor procura aproveitar movimentos de preço que podem durar mais do que um pregão, mantendo a posição por alguns dias ou semanas, dependendo da estratégia.

Ele está no meio do caminho entre o chamado day trade, em que a posição é encerrada no mesmo dia, e o investimento de longo prazo, em que uma ação pode permanecer na carteira durante meses ou anos.

Mas existe uma coisa importante: o prazo da operação não determina sozinho o risco.

Uma operação que dura três meses pode ser muito menos arriscada do que uma operação que dura dez minutos. Tudo depende da posição, da volatilidade do ativo, do stop, da estratégia e, principalmente, do tamanho da mão.

E onde entra a alavancagem?

Alavancagem é a utilização de uma exposição financeira maior do que o capital efetivamente desembolsado.

Ela pode aumentar o potencial de ganho, mas também aumenta o potencial de perda.

Um exemplo simples ajuda a entender.

Imagine que um operador tenha R$ 10 mil e consiga assumir uma exposição equivalente a R$ 20 mil. Se o ativo subir 5%, o ganho sobre a exposição será de R$ 1.000. Mas, se cair 5%, a perda também será de R$ 1.000.

Sobre os R$ 10 mil de capital, isso representa uma oscilação de 10%.

A alavancagem, portanto, não cria uma vantagem matemática por si só. Ela simplesmente aumenta a exposição.

E é justamente por isso que deve ser tratada com cuidado.

Procurando ordem dentro da volatilidade

Agora chegamos ao ponto central desta história.

Se os preços oscilam, será que podemos medir essas oscilações?

A resposta é sim.

Uma das ferramentas estatísticas que pode ser utilizada para isso é o canal de regressão linear.

O que é um canal de regressão linear?

Imagine uma série de preços representada em um gráfico.

Em vez de tentar desenhar uma linha simplesmente acompanhando visualmente os preços, a regressão linear utiliza um método estatístico para encontrar uma reta que represente, da melhor maneira possível, a tendência central dos dados analisados.

A partir dessa linha central, podemos construir limites acima e abaixo dela, formando um canal de regressão.

Canal de regressão linear
Linha central + limites estatísticos de oscilação

O objetivo não é prever o futuro com precisão.

A ideia é diferente: estabelecer uma referência estatística para avaliar onde o preço está em relação ao comportamento observado na série analisada.

Quando o preço se aproxima de uma região extrema do canal, isso pode chamar a atenção do operador. Dependendo da estratégia, do contexto e de outros critérios, pode surgir uma oportunidade de operação.

Foi essa ferramenta que utilizei na operação que vou contar agora.

Eu não estava tentando adivinhar se o Banco do Brasil subiria ou cairia.

Estava procurando uma oportunidade produzida pela própria volatilidade do ativo.

Volatilidade não precisa ser sua inimiga

Para muitos investidores, volatilidade é sinônimo de perigo.

E ela realmente pode aumentar o risco.

Mas existe outro lado.

Sem variação de preços, praticamente não haveria oportunidade para quem procura ganhar com movimentos de curto e médio prazo.

Se uma ação permanecesse eternamente parada em R$ 20, não haveria muito o que fazer com ela além de esperar.

É a oscilação entre preços que cria oportunidades para diferentes estratégias.

O problema, portanto, não é simplesmente a volatilidade.

O problema é não compreender a volatilidade à qual estamos nos expondo.

A volatilidade pode aumentar o risco.
Mas também pode criar oportunidades.

E então aconteceu a operação

No dia 8, identifiquei no Banco do Brasil uma situação que, segundo os critérios do canal de regressão linear que utilizo, apresentava uma oportunidade de operação.

Vendi 1.000 ações de BBAS3 a R$ 23,19.

Como se tratava de uma operação vendida, meu objetivo era que o preço caísse. Se isso acontecesse, eu poderia recomprar as ações por um preço inferior ao preço pelo qual havia vendido.

Foi exatamente o que aconteceu.

No dia seguinte, 9, recomprei as 1.000 ações por R$ 22,09.

O cálculo é simples:
R$ 23,19 − R$ 22,09 = R$ 1,10 por ação
R$ 1,10 × 1.000 ações = R$ 1.100

A operação durou menos de 23 horas.

O resultado bruto foi de aproximadamente R$ 1.100, antes dos custos operacionais e eventuais impostos.

É importante deixar claro: esse resultado não significa que o canal de regressão acertará todas as vezes. Nenhuma ferramenta estatística faz isso.

O que a ferramenta oferece é uma maneira objetiva de analisar o comportamento dos preços e procurar situações em que a relação entre risco e possível retorno seja interessante.

O mercado continua sendo incerto. A próxima operação pode dar errado.

E é justamente por isso que estatística, probabilidade, gerenciamento de risco e tamanho da posição são tão importantes.

Uma operação não é uma fórmula mágica

Talvez essa seja a principal lição dessa história.

Eu não ganhei R$ 1.100 porque descobri uma fórmula capaz de prever o futuro.

Ganhei porque uma determinada configuração apareceu, eu tinha uma ferramenta para identificá-la e o movimento posterior do preço ocorreu na direção esperada.

É uma diferença importante.

O objetivo de estudar o mercado não deveria ser encontrar uma ferramenta que nunca erre. Isso não existe.

O objetivo deveria ser encontrar maneiras de tomar decisões melhores diante da incerteza.

Foi essa busca que me levou a estudar de maneira mais profunda a relação entre estatística, probabilidade e volatilidade.

Quer conhecer outras ferramentas?

O canal de regressão linear é apenas uma das ferramentas que podem ser utilizadas para estudar o comportamento dos preços.

No livro “Use a Volatilidade para Lucrar — Estatística e Probabilidade Aplicadas ao Mercado de Ações”, apresento outras ferramentas e conceitos que podem ajudar o operador a enxergar o mercado sob uma perspectiva quantitativa.

A proposta não é ensinar uma fórmula para ficar rico nem oferecer uma promessa de ganhos.

É mostrar como estatística e probabilidade podem ser utilizadas para transformar a volatilidade, que muitas vezes assusta o investidor, em uma variável que pode ser estudada e incorporada ao processo de decisão.

Afinal, o mercado continuará sendo um oceano de incerteza. A questão é se vamos entrar nele sem instrumentos ou se vamos levar uma bússola.

Use a Volatilidade para Lucrar

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Estatística e Probabilidade Aplicadas ao Mercado de Ações

Conheça o livro e descubra outras ferramentas para estudar o comportamento dos preços.

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Importante: este artigo apresenta uma experiência pessoal e tem finalidade exclusivamente educacional. O resultado de uma operação passada não garante resultados futuros. Operações com ações envolvem riscos, e estratégias baseadas em estatística ou análise técnica podem produzir perdas. Antes de operar, considere os custos, a tributação, a liquidez, a volatilidade e, principalmente, o capital que está disposto a colocar em risco.

O Tamanho da Mão: Quando uma Boa Operação Pode Quebrar uma Conta

O Tamanho da Mão: Quando uma Boa Operação Pode Quebrar uma Conta

No mercado, não basta saber quando entrar. É preciso saber quanto colocar em jogo.

Imagine descobrir, em apenas algumas horas, que o dinheiro que você levou décadas para juntar praticamente desapareceu.

Não estou falando de uma história inventada para assustar o leitor. Algo muito parecido aconteceu de verdade durante o episódio das Americanas.

Um investidor, acreditando estar diante de uma oportunidade, colocou suas economias em ações da companhia. Ele comprou 5 mil ações a R$ 12,00 cada, comprometendo cerca de R$ 60 mil. O detalhe perturbador é que a compra ocorreu poucas horas antes de a empresa revelar ao mercado as inconsistências contábeis que desencadeariam uma das maiores crises da história recente da Bolsa brasileira.

No dia seguinte, as ações despencaram cerca de 77%.

A história poderia ser resumida com uma expressão que muitos operadores conhecem: all in.

Colocar praticamente todo o patrimônio em uma única operação ou ativo é, evidentemente, uma maneira extremamente perigosa de operar.

Mas existe um problema ainda mais traiçoeiro.

Ele não precisa de um all in.

Pode acontecer aos poucos, operação após operação, quase sem que o operador perceba. Uma posição um pouco maior aqui. Mais alguns contratos ali. Um stop que parece pequeno em relação ao patrimônio. Mais uma operação porque “agora vai”. E, quando se percebe, uma sequência perfeitamente normal de perdas transformou uma conta saudável em uma conta em estado crítico.

O problema não é apenas perder.
O problema é perder uma parcela do capital grande demais para que a conta consiga sobreviver às oscilações normais do método.

Existe um tamanho certo para a mão?

No mercado financeiro, podemos chamar de tamanho da mão a quantidade de capital que colocamos em risco em uma determinada operação.

Um operador pode ter uma estratégia excelente, uma taxa de acerto elevada e uma esperança matemática positiva. Ainda assim, pode quebrar.

Parece contraditório, mas não é.

Imagine uma moeda que produza, em média, resultados favoráveis ao jogador. Se você apostar apenas uma pequena parte do seu patrimônio em cada lançamento, poderá atravessar uma sequência ruim e continuar no jogo. Mas, se apostar uma parcela enorme do patrimônio a cada vez, uma sequência de resultados desfavoráveis poderá ser suficiente para destruí-lo.

É aí que aparece um dos conceitos mais importantes para quem opera mercados: o risco de ruína.

O operador não precisa estar errado para quebrar

Essa talvez seja uma das ideias mais importantes deste artigo.

Um sistema pode funcionar no longo prazo e, mesmo assim, produzir uma sequência de perdas suficientemente longa para destruir uma conta superdimensionada.

É por isso que gerenciamento de risco não é um detalhe colocado depois da estratégia.

Ele faz parte da própria estratégia.

Se uma operação pode gerar lucro de R$ 1.000, mas também pode gerar prejuízo de R$ 1.000, pouco importa que a taxa histórica de acerto seja de 60% se o operador estiver colocando metade da conta em risco a cada tentativa.

O mercado não sabe quanto dinheiro você tem. Não sabe quanto você precisa ganhar. E, principalmente, não sabe que você acabou de sofrer três perdas consecutivas.

Ele simplesmente continua distribuindo resultados.

Kelly: quanto do capital colocar em risco?

Uma das ferramentas matemáticas mais conhecidas para dimensionamento de apostas e posições é o critério de Kelly.

Em uma situação simplificada, quando conhecemos a probabilidade de vitória e a relação entre ganho e perda, a fórmula pode ser escrita como:

f = (b × p − q) ÷ b

Onde:

  • f = fração do capital a ser arriscada;
  • b = ganho potencial dividido pela perda potencial;
  • p = probabilidade de ganhar;
  • q = probabilidade de perder, ou seja, 1 − p.

O critério de Kelly procura encontrar uma fração que maximize o crescimento geométrico do capital em determinadas condições e sob hipóteses específicas. Não é uma fórmula mágica para prever o mercado.

E existe uma razão importante para não transformar o resultado de Kelly em uma ordem automática de compra ou venda.

As estimativas podem estar erradas.

A taxa de acerto pode mudar. O payoff pode mudar. A volatilidade pode aumentar. O mercado pode entrar em um regime completamente diferente daquele utilizado para calcular os parâmetros.

Por isso, para muitos operadores, uma abordagem mais prudente é utilizar o Half-Kelly: metade da fração indicada pelo Kelly original.

Kelly cheio pode ser agressivo.
Em ativos ou estratégias com elevada volatilidade e incerteza nas estimativas, utilizar metade do Kelly pode reduzir significativamente a agressividade das posições e, consequentemente, a exposição ao risco de ruína.

Primeiro exemplo: o catador de migalhas

Vamos imaginar um operador de minidólar que chamaremos de catador de migalhas.

A estratégia dele procura capturar pequenos movimentos. Quando ganha, ganha 5 pontos. Quando perde, perde 3 pontos.

Para simplificar o exemplo, considere que cada ponto do minidólar represente R$ 10 por minicontrato.

Assim:

  • ganho por contrato = 5 × R$ 10 = R$ 50;
  • perda por contrato = 3 × R$ 10 = R$ 30;
  • taxa de acerto = 60%;
  • taxa de erro = 40%.

A esperança matemática por contrato é:

E = (0,60 × R$ 50) − (0,40 × R$ 30)
E = R$ 18 por operação

Portanto, a estratégia possui esperança matemática positiva.

Agora vem a pergunta realmente importante:

E se ele operar 50 minicontratos?

Nesse caso, cada operação vencedora renderá:

50 × R$ 50 = R$ 2.500

E cada operação perdedora custará:

50 × R$ 30 = R$ 1.500

Como o capital é de apenas R$ 6.000, uma única perda representa:

R$ 1.500 ÷ R$ 6.000 = 25%

Uma perda não quebra a conta. Mas quatro perdas consecutivas, sem considerar custos e outros fatores, consumiriam os R$ 6.000:

Operação Resultado Capital
Inicial R$ 6.000
1ª perda − R$ 1.500 R$ 4.500
2ª perda − R$ 1.500 R$ 3.000
3ª perda − R$ 1.500 R$ 1.500
4ª perda − R$ 1.500 R$ 0

Perceba a ironia: o sistema tem esperança matemática positiva, mas o tamanho da mão é tão grande que uma sequência de apenas quatro perdas é suficiente para levar a conta à ruína.

Agora, o caçador de tendências

Vamos mudar completamente o perfil.

O segundo operador é um caçador de tendências. Ele opera VALE e aceita perder R$ 500 quando a operação dá errado. Quando acerta, porém, procura capturar um movimento três vezes maior: R$ 1.500.

Sua taxa de acerto é de apenas 40%.

À primeira vista, pode parecer um operador pior do que o anterior. Afinal, ele acerta menos da metade das operações.

Mas observe a esperança matemática:

E = (0,40 × R$ 1.500) − (0,60 × R$ 500)
E = R$ 300 por operação

Mesmo acertando somente 40% das vezes, o caçador de tendências apresenta esperança matemática positiva de R$ 300 por operação.

Seu payoff é vantajoso: quando ganha, ganha três vezes o que perde quando erra.

Agora imagine que ele opere 5 lotes.

Se os valores de R$ 500 e R$ 1.500 representam o resultado de cada lote, cinco lotes significam:

  • perda = 5 × R$ 500 = R$ 2.500;
  • ganho = 5 × R$ 1.500 = R$ 7.500.

Com capital de R$ 6.000, uma única perda representa:

R$ 2.500 ÷ R$ 6.000 = 41,67%

Uma única operação perdedora elimina mais de 41% do capital.

Duas perdas consecutivas deixam:

R$ 6.000 − R$ 2.500 − R$ 2.500 = R$ 1.000

A terceira perda, nessas mesmas condições, já ultrapassaria o capital disponível.

E novamente aparece o paradoxo:

Esperança matemática positiva.
Payoff excelente.
E ainda assim, risco enorme de ruína.

E quanto deveria ser o tamanho da mão?

Voltemos à fórmula de Kelly.

Catador de migalhas

O ganho é de R$ 50 e a perda é de R$ 30 por contrato.

Portanto:

b = 50 ÷ 30 = 1,6667

p = 0,60
q = 0,40

Aplicando Kelly:

f = [(1,6667 × 0,60) − 0,40] ÷ 1,6667
f ≈ 36%

O Kelly cheio indicaria aproximadamente 36% do capital como fração de risco.

Mas vamos utilizar o Half-Kelly:

Half-Kelly ≈ 18%

Com R$ 6.000 de capital, 18% correspondem a:

R$ 6.000 × 18% = R$ 1.080

Como cada minicontrato arrisca R$ 30 no stop considerado:

R$ 1.080 ÷ R$ 30 = 36 minicontratos

Assim, sob as premissas desse exemplo, 36 contratos representam aproximadamente o limite correspondente ao Half-Kelly. Operar 50 contratos significa assumir R$ 1.500 de risco, ou 25% do capital, acima dos 18% sugeridos pelo Half-Kelly.

Caçador de tendências

Aqui, o ganho potencial é R$ 1.500 e a perda potencial é R$ 500.

b = 1.500 ÷ 500 = 3

p = 0,40
q = 0,60

Aplicando Kelly:

f = [(3 × 0,40) − 0,60] ÷ 3
f = 20%

O Half-Kelly será, portanto:

Half-Kelly = 10%

Com R$ 6.000:

R$ 6.000 × 10% = R$ 600

Como cada lote arrisca R$ 500, o dimensionamento prudente ficaria próximo de 1 lote, caso seja necessário trabalhar apenas com lotes inteiros. Um lote arriscaria R$ 500, ou 8,33% do capital, ficando abaixo do limite de 10% do Half-Kelly.

Os 5 lotes, por outro lado, colocam R$ 2.500 em risco: 41,67% do capital.

O tamanho da mão muda tudo

Observe o que aconteceu.

O catador de migalhas possui 60% de acerto e esperança matemática de R$ 18 por contrato. O caçador de tendências acerta somente 40%, mas apresenta esperança matemática de R$ 300 por lote.

Os dois têm vantagem matemática.

Mesmo assim, ambos podem destruir uma conta se aumentarem demais o tamanho da posição.

O problema não está necessariamente na estratégia.

Está na relação entre a estratégia e o capital disponível para suportar suas perdas.

Como reduzir o risco de ruína?

A primeira providência é simples de entender, embora nem sempre seja fácil de executar: determinar previamente quanto do patrimônio pode ser perdido em uma operação.

Se uma operação arrisca 2% do capital, dez perdas consecutivas representam uma situação muito diferente daquela produzida por dez perdas de 10%.

Com risco de 2% por operação, uma sequência de dez perdas consecutivas, utilizando sempre 2% do capital remanescente, deixaria aproximadamente 81,7% do patrimônio original.

Com risco de 10% por operação, as mesmas dez perdas deixariam apenas cerca de 34,9%.

Essa diferença é gigantesca.

E existe outro detalhe importante: quanto maior a perda, maior o retorno necessário apenas para voltar ao ponto de partida.

Perda Ganho necessário para recuperar
10% 11,1%
20% 25%
30% 42,9%
40% 66,7%
50% 100%

Depois de perder metade do patrimônio, é preciso ganhar 100% sobre o que restou apenas para voltar ao ponto inicial.

É por isso que preservar capital não é uma postura covarde.

É uma condição matemática para permanecer no jogo.

Três coisas que o operador precisa conhecer

No fim das contas, uma operação não deveria ser avaliada apenas pela pergunta:

“Qual é a chance de eu ganhar?”

Existem pelo menos três perguntas fundamentais.

1. A esperança matemática é positiva?

Ao longo de uma grande quantidade de operações, os ganhos esperados superam as perdas esperadas?

2. O payoff é vantajoso?

Quanto se ganha quando se acerta em comparação com quanto se perde quando se erra?

3. Qual é o tamanho da mão?

Quanto do capital está efetivamente exposto ao risco em cada operação?

A terceira pergunta é frequentemente esquecida.

E talvez seja justamente ela que determine se as duas primeiras terão alguma importância.

Uma estratégia com esperança matemática positiva precisa de capital suficiente para sobreviver às sequências desfavoráveis que fazem parte da distribuição dos resultados.

Não existe estratégia que elimine perdas. O objetivo do gerenciamento de risco é impedir que uma sequência normal de perdas se transforme em uma catástrofe financeira.

Esperança matemática positiva.
Payoff vantajoso.
E tamanho da mão compatível com o capital.

Uma bússola para navegar no oceano da volatilidade

O mercado de ações é um ambiente de incerteza.

Preços sobem e descem. Tendências aparecem e desaparecem. A volatilidade se expande justamente quando o operador gostaria que ela permanecesse comportada.

Por isso, talvez uma das maiores habilidades de quem opera não seja tentar descobrir exatamente o que o mercado fará amanhã, mas compreender como a probabilidade, a estatística, o payoff e o tamanho da posição trabalham juntos.

É nesse universo que entra o livro “Use a Volatilidade para Lucrar — Estatística e Probabilidade Aplicadas ao Mercado de Ações”.

A proposta não é oferecer uma bola de cristal. É oferecer ferramentas para que o operador consiga olhar para a volatilidade de outra maneira: não apenas como uma ameaça, mas como uma característica do mercado que pode ser estudada, medida e incorporada à tomada de decisão.

Use a Volatilidade para Lucrar

Estatística e probabilidade aplicadas ao mercado de ações

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Importante: os cálculos apresentados são exemplos didáticos e não constituem recomendação de investimento. Resultados passados ou estimativas de probabilidade não garantem resultados futuros. O tamanho adequado de uma posição depende das características da estratégia, da volatilidade do ativo, da liquidez, dos custos operacionais e da tolerância ao risco do operador.

sábado, 12 de setembro de 2026

A DEMONIZAÇÃO DA MERITOCRACIA PELA DISTORÇÃO DA REALIDADE

A DEMONIZAÇÃO DA MERITOCRACIA PELA DISTORÇÃO DA REALIDADE

No setor público do Brasil, a origem da meritocracia pode ser vista como uma tentativa do governo Getúlio Vargas de moralizar o serviço público, tanto na contratação de servidores quanto nas promoções que estes vierem a obter. É que antes de Getúlio Vargas, os cargos e empregos públicos eram distribuídos pelos políticos, de acordo com sua conveniência, claro. Daí, valia a indicação política e não o merecimento do indivíduo. Isso significava que uma pessoa pouco qualificada para uma função poderia ser contratada por uma prefeitura, por exemplo, enquanto pessoas bem qualificadas eram simplesmente desconsideradas.

Apesar desse motivo nobre na fachada da meritocracia, podemos especular que, por trás, uma vez estabelecida, o poder político em certos locais poderia ser diminuído como resultado ou efeito colateral.

Aliás, digamos de passagem que, dadas as boas condições de vida pregressa de Getúlio Vargas, como rapaz de uma família abastada e influente, tendo passado pelas melhores escolas da época e sob influência de ideias do iluminismo científico, e evolucionistas de Charles Darwin, não é de se admirar que o mesmo acreditasse piamente numa sociedade moldada pela biologia, na qual os indivíduos mais habilidosos, mais inteligentes e mais enérgicos fossem os possuidores de bens, justificando, assim a existência dos não possuidores de bens.

É baseado na meritocracia que o administrador público é obrigado a fazer concurso público e escolher os que tiverem melhor resultado no certame. É também baseado nela que as promoções são atendidas ou negadas. Então, fica mais difícil usar cargos e empregos públicos como moeda eleitoral.

No entanto, prestar concurso público não é o bastante para garantir a não interferência ou o uso eleitoreiro dos cargos e empregos públicos. É necessária a estabilidade no serviço público, que embora não seja absoluta, é suficiente para dissuadir administradores desonestos a demitirem servidores que não o apoiem explicitamente para tentar colocar em seus lugares apoiadores, mesmo via concurso público.

No setor privado, a meritocracia também existe, embora não seja explícita, em muitos casos. Muitas empresas promovem várias atividades que visam a contratação das pessoas com os melhores perfis para suas vagas. Entre essas atividades está a entrevista, a análise do currículo, o período de experiência.

E essa prática e ideologia pode se estender dentro das empresas, pelo estabelecimento de critérios objetivos para promoções e aumento de salário por exemplo. Uma forma simples de meritocracia dentro de uma loja de venda de roupas é a comissão do vendedor. Obviamente, os melhores vendedores conseguirão um valor maior em comissões que seus colegas que vendem menos.

O não uso da meritocracia, no setor privado, ocorre quando um parente do proprietário assume uma diretoria, quando havia pessoas com mais experiência e qualificação na empresa do que o dito-cujo.

Quando se usam critérios subjetivos, do tipo “eu fui com a sua cara” ou “dou o queijo para os de casa”, não se está usando a meritocracia. Quando se está simplesmente comparando pessoas em situações desiguais, está-se distorcendo a meritocracia.

O segundo caso ocorre claramente na seleção de candidatos às vagas nas universidades públicas, onde os alunos que vêm de famílias bem estruturadas financeiramente e, por isso, tiveram acesso a uma educação de melhor aproveitamento, normalmente garantem suas vagas em cursos como medicina, engenharias, ciências da computação, direito, etc. Para os alunos cuja educação ofertada foi precária e de pouco aproveitamento, quando muito, restam as vagas de cursos que somente pessoas com a vida financeira já garantida poderiam querer ocupar por hobby. (Desculpe-me por essa sinceridade).

Por causa dessa distorção, fez-se a aposta no sistema de cotas, adorado por uns e odiado por outros. O sistema de cotas não é a solução perfeita para corrigir as distorções na sociedade brasileira, mas ela é o que resta de viável para a mitigação dessas distorções.

É bom lembrar que algumas pessoas, seja por uma visão curta e superficial ou pelo mero mau-caratismo, usam o jargão “querer é poder” ou “quem quer de verdade chega lá”. Essas afirmações, normalmente se baseiam em exceções. Exceções costumam ocorrer com pessoas excepcionais ou sob situações peculiares. Quem conhece a matemática, pelo menos um pouco, sabe que não podemos partir de um exemplo e generalizar. É o contrário. Precisamos de um resultado generalizado e, então, apresentamos um exemplo dele. Citar pessoas excepcionais ou sob situações peculiares para provar uma tese não faz o menor sentido.

Ainda sobre a aprovação para vagas muito concorridas nas universidades, temos exemplos de pessoas que não vinham das famílias com boa estrutura financeira, mas que os pais, numa postura excepcional de pais com pouca ou nenhuma escolaridade, dedicaram suas vidas à educação do filho ou da filha, criando condições peculiares para que ele ou ela se preparasse de forma adequada para os exames como ENEM, ou outro vestibular.

Também há casos em que alguém, mesmo sem esse apoio e sob condições muito adversas, conseguiu “chegar lá” por excepcionalidade.

As cotas que são usadas nesta geração talvez sejam desnecessárias na terceira geração, mas justamente pela sua adoção hoje e jamais pelas exceções, que servem para elencar os exemplos dos que se opõem ao sistema de cotas.

Voltando ao caso do comércio, o exemplo da comissão sobre as vendas é muito claro. Duas vendedoras trabalham as mesmas oito horas por dia em uma mesma loja. Para facilitar nossa leitura, vamos chamá-las de Maria e Alice. As duas entram às oito da manhã no trabalho, têm um intervalo de duas horas e saem às dezoito horas. Alice, depois de almoçar, entra em contato com algumas de suas clientes, que a autorizaram a isso, mostrando novidades e promoções na loja. Maria passa o restante do intervalo do almoço vendo vídeos engraçados no Tik Tok ou jogando Macth 3. Depois do expediente, Alice faz cursos de aperfeiçoamento em vendas e relações interpessoais. Maria vê a novela das sete, das nove e das onze, depois dorme pesadamente até o dia seguinte.

Como resultado exclusivo de suas respectivas posturas, Alice faz quase o triplo das vendas feitas por Maria. Se não houvesse a comissão, certamente não seria justo que as duas, ao fim do mês, recebessem o mesmo valor em pagamento.

Por outro lado, o mesmo estado que adotou a meritocracia no serviço público e diz ter como um de seus objetivos a diminuição de desigualdades, inclusive com o estabelecimento de cotas em universidades, por exemplo, é o estado que penaliza Alice. Como? Explico. No meu exemplo, Alice ganha um salário comercial, de R$ 1.455,67, assim como Maria. Com as comissões, Maria chega a ganhar até R$ 1.900,00. Alice, supera esse valor, chegando a R$ 2.800,00. Daí, enquanto Maria é isenta do imposto sobre a renda, Alice precisa entregar ao fisco algo em torno de R$ 66,00. Como a diferença de salários das duas não é grande o suficiente para que elas tenham padrões de vida muito distintos, esse valor pago representa o avesso da meritocracia, isto é, a penalização da mais esforçada. Além disso, Maria não tem obrigação de preencher a enfadonha declaração anual de imposto de renda; Alice, sim.

Como foi possível observar, a meritocracia é um processo que pode promover justiça e mitigar desigualdades, quando aplicado de forma racional, considerando os diferentes pontos de partida de e caminhos de cada pessoa.

No entanto, a sua distorção pode acarretar o inverso da justiça, reforçando os fatores que alargam as desigualdades sociais. Pior ainda, no lugar de um mecanismo justo de distribuição de recompensas, temos um embuste para a aristocracia, que perpetua sua condição privilegiada sob a sombra de uma meritocracia distorcida em seu favor.

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Bibliografia

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BARBOSA, L. Meritocracia e Sociedade Brasileira. RAE – Revista de Administração de Empresas, v. 54, n. 1, 2014. Disponível on-line em http://www.fgv.br/rae/artigos/revista-rae-vol-54-num-1-ano-2014-nid-48286/ , acessado aos 5 de dezembro de 2021.

BASTOS, P.P.Z., FONSECA, P.C.D. (Orgs.). A Era Vargas: desenvolvimento, economia e sociedade. Editora Unesp, São Paulo, 2012.

LEMOS, A.H.C., DEBEUX, V.J.C., PINTO, M.C.S. Empregabilidade dos Jovens Administradores: uma questão meritocrática ou aristocrática? Brazilian Business Review, v. 8, n. 1, Vitória – ES, jan – mar, 2011, p. 94 – 115.

NICOLAU, P.M. O Início da Meritocracia no Brasil. Blog wegov, 13 de maio de 2015. Disponível on-line em https://wegov.com.br/o-inicio-da-meritocracia-no-brasil/ , acessado aos 5 de dezembro de 2021.

SIMIONI, R. L. A Sublimação Jurídica da Função Social da Propriedade. Lua Nova: revista de cultura e política, ISSN 1807-0175, n. 66, São Paulo, 2006.

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* Publicado pela primeira vez no blog Embucajando, em 5 de dezembro de 2021.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A Dica Quente Pode Virar Armadilha

A dica quente pode virar uma armadilha.

Esse pensamento, apesar de ser igualzinho ao meu, não foi pensado por mim primeiro. Na verdade, ele veio de uma cabeça que se foi muito antes de eu nascer.

Sim, para ele, as dicas quentes eram, na maioria das vezes, plantadas por quem precisava se livrar de uma posição grande na bolsa de valores de Nova York. Por isso, ele costumava ignorá-las. Mas sabia que a maioria das pessoas amava essas dicas.

A tese desse grande especulador, talvez o maior de todos os tempos, era de que as pessoas tinham preguiça de pensar por elas mesmas e preferiam receber uma informação, supostamente de alguém de dentro de uma companhia, para tomar uma decisão de comprar ou de vender uma ação.

A minha tese é um pouco diferente, embora eu não rejeite a ideia de que as pessoas têm preguiça de pensar. Pensar exige energia, exige concentração, exige atenção. E as pessoas perderam o hábito de investir tudo isso em lugares proveitosos. Para mim, o que mais pesa na hora de decidir comprar ou vender uma ação negociada na bolsa de valores é a responsabilidade pela decisão. Se tomo a decisão por conta própria, a responsabilidade é minha, acerte ou erre. Se aceito uma dica e dá tudo errado, a culpa é de quem deu a dica, e não minha que aceitei. Se der tudo certo, aceito o mérito de ter aceito a dica e conto vantagem sobre isso.

Mas é claro que quem está no mercado de ações sempre recebe, direta ou indiretamente uma dica, seja de uma pessoa em um vídeo sobre investimentos, de um amigo, ou mesmo aquela dica profissional, chamada de recomendação.

Eu mesmo recebo muitas. Mas em vez de seguir cegamente, costumo averiguar outros fatores, além dos apresentados pelo analista ou mesmo pelo palpiteiro.

Isso porque eu mesmo já caí em muitas dessas recomendações e me dei muito mal. As coisas só começaram a mudar quando conheci o livro sobre Jesse Livermore, um dos maiores operadores do mercado de ações e de commodities do mundo.

Tive o privilégio de traduzir e adaptar a versão original, publicada em 1923 por Edwin Lefèvre e agora você também pode transformar sua relação com o mercado de ações para nunca mais ser tratado como ingênuo nem acreditar em qualquer um.

Uma leitura para quem deseja tomar decisões financeiras com mais consciência.